quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

' Depois de Agosto


Não fizeram planos.
Talvez um voltasse, talvez o outro fosse.
Talvez um viajasse, talvez outro fugisse.
Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais,
cristais e contas por sedex, que ambos eram meio bruxos,
meio ciganos, assim meio babalaôs. 
Talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não.
Talvez algum partisse, outro ficasse.
Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego.
Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos,
talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro,
ou viajassem juntos para Paris, por exemplo,
Praga, Pittsburg ou Creta. 
Talvez um se matasse, o outro negativasse.
Sequestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe.
Talvez tudo, talvez nada.
Porque era cedo demais e nunca tarde.
Era recém no início da não-morte dos dois
.


  • L. Véia

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