sábado, 19 de junho de 2010
A quem interessar possa,
(...) saí correndo no parque e me joguei na água gelada de agosto
invadi sem ter direito a névoa dos canteiros
destaquei meu corpo contra a madrugada
esmaguei flores não nascidas
apertei meu peito na laje fria do cimento
a névoa e eu
o parque e eu
a madrugada e eu
costurado na noite cerzido no escuro
porque me dissolvia
à medida em que me integrava no ser do parque
e me desintegrava de mim
e você não teve olhos para ver
que o parque era você
a água você
a névoa você
a madrugada você
as flores você
os canteiros você
o cimento você.
• Renata Mulinelli
quarta-feira, 16 de junho de 2010
' Que incrível!
Nem tudo está perdido
nem sinal de pedra no peito
o horóscopo do jornal arriscou "um belo dia"
liguei o rádio na hora certa
era a canção que eu queria...
ninguém me telefonou enquanto eu dormia
sonhei com meu pai e ele sorria
chimarrão pra acordar era só o que eu queria
Veja você... que surpresa!
que coisa incrível!
descobri que sou feliz! ♫ ♪
- L. Véia
segunda-feira, 14 de junho de 2010
' e a grande roda continua girando, o neon queimando ao céu . . .
' em meio a uma multidão, eu a via em pé na luz
ela tinha um bilhete para a roda-gigante
assim como eu, ela era uma vítima da noite.
eu coloquei a mão sobre a alavanca disse:
'vamos balançar e deixar rolar!
havia uma flecha atravessando meu coração e minha alma
é só perigo quando você está viajando por conta própria
ela diz: 'você é o estranho perfeito'. . .
ela sacou um medalhão prateado e disse:
'lembre de mim através disto!.
ela colocou a mão no meu bolso,
eu tenho uma lembrança e um beijo
e no rugido da poeira e do diesel,
eu paro e a assisto indo embora.
eu poderia tê-la alcançado facilmente,
mas algo deve ter me feito ficar.
agora estou procurando incansavelmente
nestes carrosséis e nos desfiles carnavalescos
procurando em todos os lugares,
passando por obstáculos e estaquias,
em qualquer academia de tiro ao alvo
e garota . . .
isto parece tão belo pra mim . . .
como sempre pareceu ♫ ♪
- L. Véia
sexta-feira, 4 de junho de 2010
' farinha do mesmo saco
' há 150 mil anos atrás
no colo da Mãe África
éramos todos negros,
sem dinheiro e sem pátria
alguns foram pro norte, outros foram pro sul
esqueceram do vovô macaco
mas somos todos
farinha do mesmo saco
- L. Véia
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