sábado, 19 de junho de 2010

A quem interessar possa,



(...) saí correndo no parque e me joguei na água gelada de agosto
invadi sem ter direito a névoa dos canteiros
destaquei meu corpo contra a madrugada
esmaguei flores não nascidas
apertei meu peito na laje fria do cimento
a névoa e eu
o parque e eu
a madrugada e eu
costurado na noite cerzido no escuro
porque me dissolvia
à medida em que me integrava no ser do parque
e me desintegrava de mim

e você não teve olhos para ver
que o parque era você
a água você
a névoa você
a madrugada você
as flores você
os canteiros você
o cimento você.

• Renata Mulinelli

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